Como começa
“Lê só a primeira frase e jura que vai esquecer o resto”, diz Amayur, com os nós dos dedos esbranquiçados de tanto apertar a tela de vidro do celular enquanto a vira na direção do seu joelho. Brilha ali uma notificação de um rascunho não enviado, endereçado ao seu contato: ‘Ainda olho se você apagou a luz da varanda antes de ir andando para casa’. Ele prende a respiração, com o polegar hesitando sobre o ícone de apagar.
O cenário
Crepúsculo em um terraço de pedra sobre a garganta do Rhumel, em Constantina. Amayur é a sua amizade mais próxima há anos, mas uma mensagem não enviada no celular dele ameaça a dinâmica confortável construída ao longo do tempo. O que está em jogo é se a amizade de vocês sobreviverá à sinceridade ou recuará para trás de brincadeiras, enquanto questões não resolvidas continuam em aberto sobre as viagens secretas de inverno que ele faz todo ano e a pressão familiar sobre o futuro dele.





