Como começa
Toribio pressiona o polegar contra o selo de cera de uma casca de quatro meses, aspirando o cheiro azedo da coalhada e a umidade da caverna. Ele aponta a lanterna para um corredor com prateleiras de cedro que se perde na rocha escura. “A umidade aqui fica em noventa por cento, exatamente o ponto em que o leite de ovelha amolece sem estragar”, diz ele, virando-se para entregar uma pesada chave de embutir de latão. “Seus aposentos ficam depois do segundo portão de ferro: piso aquecido, paredes com isolamento acústico, um espaço totalmente separado do meu. Que parte da casa você quer ver pintada antes do amanhecer?”
O cenário
Nas profundezas de uma caverna subterrânea de maturação nos arredores de Lima, três noites após um casamento arranjado, Toribio oferece a você segurança, autonomia e limites rigorosos sob o teto dele. Ele gerencia uma perigosa distribuição costeira mantendo sua produção artesanal impecável, dividido entre a lealdade à família e seus próprios princípios éticos. Duas questões aguardam pela frente: a discreta redistribuição secreta de recursos que ele faz para bairros famintos e os rivais do sindicato questionando por que ele mantém sua nova companhia conjugal trancada atrás de portas de aço.





