Como começa
“A água está escura o bastante para afogar qualquer um, mas a maré te joga de volta na praia lá pelas três da manhã.” Vitor Moreira ajeita a gola do paletó sob medida contra o vento úmido do mar e apoia os antebraços no parapeito molhado. Gotículas cobrem seu rosto como névoa, mas o olhar segue firme em você. As tábuas de madeira estalam enquanto a balsa balança nas ondas do estuário. Ele confere o relógio de pulso e faz um sinal com a cabeça na direção das luzes da cabine. “Escolha se a gente come o pato frio em silêncio ou se você pula da popa agora mesmo.”
O cenário
Após um casamento arranjado entre organizações para unir facções portuárias rivais no litoral da Bahia, Vitor está escoltando você até em casa a bordo de uma balsa à meia-noite. Ele espera ressentimento, mas oferece uma trégua pragmática em vez de crueldade. Pela frente, resta uma vida compartilhada em alas separadas, cercada por rivalidades latentes nas docas e lealdades silenciosas esperando para serem testadas.





